sexta-feira, 22 de maio de 2015

Por que ler os Clássicos?


"Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer." 

Ítalo Calvino

   É uma pena que muitas pessoas ainda achem que os livros considerados clássicos da literatura são livros ultrapassados, enfadonhos, que não têm mais nada há passar para nós. Justamente ao contrário: deve ser considerado clássico apenas aqueles livros que, ao ler, conseguimos perceber a atualidade ali presente, mesmo depois de tanto tempo.
   Ao mesmo tempo que eu acho triste, também compreendo. Se alguém me dissesse há dois anos que eu estaria lendo os clássicos, entendendo-os, e gostando da grande maioria, eu não acreditaria. É engraçado como nós temos medo do desconhecido, como nós criticamos sem conhecer, como nós formamos pré-conceitos e fazemos da nossa opinião baseada em achismos a única verdade plausível.
    Vou contar para vocês uma coisa muito engraçada e, que de certa forma, faz parte de quem eu sou agora: quando eu era criança, ganhei "O Pequeno Príncipe" de presente de uma tia. Eu fiquei anos sem tirar o livro da prateleira, pois todos da minha família diziam: "Esse livro é lindo, é um clássico!". E eu ficava apavorada e desistia de ler o livro apenas por meu pré conceito de que tudo que era clássico era difícil. Alguns anos depois, ainda na minha infância (quase pré adolescência), ganhei o tão famoso best-seller Crepúsculo. Vivia-se falando do dito livro, em tudo que é lugar, ainda mais quando estavam estreando o segundo filme da mesma saga no cinema. Então, eu via todo mundo falando desse tal livro, eu via as pessoas elogiando a tal estória de romance, e eu me encorajei a ler, porque se todo mundo estava lendo, isso indicava que não era difícil, nem chato, certo? 
    Li. E posso dizer que foi uma decisão acertada. Não por ser o melhor livro que eu já li, não por ele ter me tocado de alguma forma, nem por eu ter gostado muito, mas por que me fez perceber que eu simplesmente amava ler! Quer dizer, quando era bem pequena, eu tinha montanhas de livros infantis ilustrados, montanhas mesmo, mas nunca tinha lido um livro com tantas páginas, tão rápido. Aquilo me deu motivação para ler mais e, consequentemente, tirar "O Pequeno Príncipe" da estante, e perder o medo de tentar ler um clássico. Esse sim, eu posso dizer que se tornou um dos meus favoritos. Por quê? Porque me fez pensar além da zona de conforto.
Não foi um romance ficcional que contém um triângulo amoroso com um lobisomem, um vampiro e uma humana. Foi uma estória que ficou em mim mesmo depois de acabada a leitura. Foi filosófico. Foram frases, personagens, ensinamentos, que eu levo para a vida toda. "O Pequeno Príncipe" me fez pensar; me fez refletir sobre essa mania nossa de nunca estarmos satisfeitos aonde quer que estejamos; me fez pensar que, assim como o pequeno Príncipe não deu valor à rosa dele, nós também não damos valor para algumas pessoas; assim como a Raposa, nós também corremos o risco de chorar (e choramos) quando nos deixamos cativar e, principalmente, me fez enxergar que, realmente, as pessoas adultas só estão preocupadas com os números. 
    O que eu quero dizer é que, é ótimo ler vários best-sellers para relaxar. É ótimo se envolver com uma estória de amor e se emocionar, é ótimo mesmo, mas não nos tira da zona de conforto, não nos faz refletir, não nos marca. Entretanto, eles não deixam de ter sua importância. Assim como foi para mim, os best-sellers certamente são a porta de entrada de outros jovens leitores na literatura clássica.
     Como escreveu o Kafka certa vez: "Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?"
    Então, por que ler os clássicos? Porque nós precisamos ir além do visível, além do palpável. Porque nós precisamos ver que, apesar dos anos, as paixões dos homens não mudaram, os homens não mudaram. Os clássicos da Grécia Antiga antes de Cristo nos mostraram histórias que ainda acontecem hoje. Os livros de Dostoiévski não nos mostram nada além do homem real, não romantizado em uma separação mocinhos e vilões.
    É preciso que percamos o medo, é preciso que tentemos novas estórias, novos autores, novos gêneros. Quem lê sempre a mesma coisa é igual a quem fica sempre no mesmo lugar: não avança pra canto nenhum! 

3 comentários:

  1. Minha parceira lá do blog Selma, vai amar ler esse post, ela ama clássicos. No vídeo que ela falou sobre livros, ela disse exatamente o que você escreveu no inicio. Hoje em dias as pessoas acham que livros clássicos são chatos, sem graça, velhos e que só servem pra fazer prova de faculdade.
    Mas o que eu gosto em livros clássicos, é que eles são originais, tem sua propiá essência, ao contrario dos livros de hoje em dia que são tão clichês.
    Adorei o post ♥ E desculpa pelo textão haha
    ah, estou seguindo o blog, se puder retribuir agradeço muitíssimo
    Beijão http://www.quintagaveta.com/

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    1. Oi, Priscila! Tudo certo?
      Que desculpa que nada, adoro textões! Hahaha
      Exatamente, eles ainda têm suas próprias mensagens para repassar, a maioria das pessoas é que não conseguem interpretá-las!
      E isso não quer dizer que os livros atuais sejam ruins, ou que precisamos desmerecê-los! Cada um em seu momento...
      Estou seguindo seu blog também, muito obrigada!! ♥

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  2. Lindo post, adorei a primeira frase, muito pertinente. Minha relações com clássicos só veio quando era mais velha, na escola, no ensino médio para ser mais precisa. Depois desta época, sempre tenho nas minhas metas de leitura um perambulando por lá para ser lido.
    Beijos grande!
    www.estavalendoedai.blogspot.com.br

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