quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Resenha: Os Sofrimentos do Jovem Werther



Olá, gente! Tudo bem com vocês? Espero que sim!

Esta é a minha primeira resenha e, consequentemente, a primeira postagem do blog. Eu sempre quis ter um, mas nunca tive coragem... Não sei se vai dar certo, mas não custa tentar, não é mesmo?! Então...

Eu tenho uma disciplina muito interessante na faculdade. Ela mistura a literatura ocidental com história, e quem me conhece o mínimo sabe que são minhas duas paixões! Além de, é claro, o português! 

Enfim, essa disciplina tem muitas leituras (como quase todas as disciplinas do curso de Letras), muitas obras clássicas! Eu sempre achava que a maioria dos clássicos era algo meio que subestimado, sabem? Mas depois de começar a lê-los, mudei de opinião! Eles mudam a maneira de vermos o mundo, é sério mesmo! Alguns, óbvio, são melhores que outros, e depende muito também do gosto da pessoa.

O livro do qual eu vim falar a respeito hoje não foi a melhor leitura da minha vida, mas foi bom. Na verdade, eu sempre me apego aos livros que leio. Apesar de “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe, não estar no meu top 5, com certeza é uma obra para ser lida por todos que gostam do Romantismo!







Com a publicação de Werther, em 1774, surge a primeira obra do movimento romântico. É um romance epistolar (contado por cartas). Vale ressaltar que Goethe foi simplesmente brilhante em criar, no livro, dois narradores! Um, o principal, é o próprio Werther, o autor das cartas. O outro, é algo como um “editor falso”, um narrador testemunha, que, ao que tudo indica, reuniu em um só lugar todas as cartas e relatos que conseguiu sobre o nosso jovem Werther. Algo interessante a reparar é que há muita autobiografia na história de Werther com a de Goethe. Assim como Werther, Goethe também se apaixonou por uma Charlotte. Uma mulher impossível para ele por ser compromissada com outro.

Quanto ao personagem principal, penso que Werther pode ser definido como um maldito menino rico, mimado e exagerado. Um burguês, de fato, que é sustentado pela mãe, não quer trabalhar para não responder às ordens dos outros e vive por aí querendo apenas o que não pode ter. Como qualquer boa e clássica história do romantismo, Werther é melancólico, solitário e amante da natureza.


“A propósito, sinto-me muito bem aqui. A solidão é para minha alma um bálsamo precioso neste paraíso terrestre, e esta primavera me aquece o coração em todo o seu ardor, esse meu coração que frequentemente estremece de frio. Cada árvore, cada arbusto é um ramalhete de flores.”
Pag. 14





Isso fica muito claro ao decorrer do livro, tanto por ele querer Charlotte, sofrer por não tê-la, mas ao mesmo tempo não sair daquela situação, como se gostasse; quanto por descrever com entusiasmo as árvores que gosta, a paisagem que o encanta, e as estações do ano: Werther é feliz nas primaveras e nos verões, contudo, isso muda conforme o clima muda:


“Sim, é isso mesmo. Do mesmo modo como a natureza declara agora o outono, também dentro e em volta de mim o outono se manifesta. Minhas folhas amarelecem, e as folhas das árvores vizinhas já caíram.”
P. 103


Werher é tão melancólico que, ao passar do tempo, ele vira um defensor do suicídio. Ele usa um argumento bem intrigante, aliás. Se referindo à Deus como pai e, sabendo que a Igreja condenava e condena até hoje quem se mata\matava a ir para o inferno, ele lança o seguinte argumento: Será que Deus, vendo o filho em total situação de desespero, conseguiria puni-lo para sempre, jogando-o no inferno eternamente? Werther acredita que não. Nenhum pai vendo o sofrimento de um filho, conseguiria simplesmente renegar o seu colo, o seu consolo, o seu amor.





“Que homem, que pai poderia encolerizar-se, quando seu filho, chegado de súbito, o abraçasse e exclamasse: estou de volta, meu pai! Não fique zangado se abrevio a peregrinação que, segundo sua vontade, deveria seguir por mais tempo. [...] Oh, pai celeste e misericordioso, poderia repelir esse filho pródigo?”
P. 121


Um fato curioso é que muitos leitores de Goethe cometeram suicídio após lerem o livro. O que fez com que a igreja proibisse a leitura da obra. Na psicanálise, criou-se um termo chamado Efeito Werther, em referência ao personagem e caracterizado pela sua personalidade suicida. Enfim, não inventem de ler a história enquanto estiverem deprimidos, certo?

Eu não quero contar muito sobre o enredo, porque, sério, dar spoilers demais é muito chato! Essa é meio que a primeira resenha que eu faço e, se vocês gostarem, e quiserem outra, me falem! Eu fiz por fazer, mesmo! Além de ser um bom exercício de memorização para as provas de literatura! ;)


Vejo vocês em breve!

Observação: as fotos aqui ilustradas foram tiradas do meu exemplar do livro! É uma edição de 2010, da Abril Cultural. 

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