segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Resenha: O Homem Que Venceu Hitler

Oi, pessoal! Como vocês estão, hein? Espero que o Natal tenha sido bom! 
Enfim, hoje eu trouxe para vocês a resenha de um livro nacional! O autor é o Marcio Pitliuk. Ele é publicitário, escritor e cineasta, além de ser especialista na história do Holocausto.
Sendo eu louca por tudo que envolve a história da II Guerra Mundial, quando vi esse livro na Saraiva não pude deixar de comprar e, nossa! Não tenho palavras para descrever como este livro é incrível!

Tudo começa no enterro de Chaim Kramer, um judeu que viveu as atrocidades do Nazismo na Polônia em 1939. O filho dele, David, é quem dá "vida" ao enredo. Impulsionado pela morte do pai, ele decide retornar à Polônia para descobrir as peças que faltavam para completar o passado do pai. Afinal, Chaim sempre contava sobre o que passou nas mãos dos alemães, e até mesmo dos poloneses, já que, mesmo antes da guerra, os judeus eram vistos na Polônia como estrangeiros, mas David sentia que faltava algo. Sentia que precisava ver com seus próprios olhos o que seu pai passou, de certa forma. Era óbvio que o Nazismo já havia passado, bem como o Comunismo, mas mesmo assim, os prédios, as ruas, a cidade ainda estavam lá, de pé. 

A história se passa paralelamente, pois em um capítulo temos o momento atual -ou seja, David partindo para a Polônia a fim de saber mais sobre o passado sofrido de seu pai, em 2004; e em outros temos o passado, onde voltamos para o começo de tudo, em 1939 até quase ao final da guerra. O livro é narrado em terceira pessoa sempre, o que, particularmente, me agradou muito. Aos poucos, começamos a conhecer a história de Chaim, ainda quando ele era apenas um menino de 13 anos que vivia feliz com a família judia em um bom prédio na Cracóvia. Com a chegada dos alemães à Polônia, tudo isso começa a desmoronar rapidamente.

De certa forma, este provérbio judaico que aparece nos agradecimentos guia toda a fascinante história.

Além de conhecermos a vida da família judia Kramer, também conhecemos um pouco da realidade de um casal que vive do outro lado da cidade: Marek e Anna Kowalski, poloneses.
É válido lembrar que os poloneses tinham repulsa por alemães, e que a Polônia resistiu a invasão Nazista por um mês. Marek, sabendo que precisava ajudar, deixa sua esposa e segue para as tropas polonesas, a fim de defender sua terra.


-Vou matar tantos alemães que o chão da Polônia ficará vermelho por muitos anos. -Sim, o chão da Polônia ficaria manchado de vermelho. Mas por outra razão.
P. 22



Não acabou bem para Marek. Ele faleceu em batalha, e Anna teve que aprender a viver sozinha e batalhar para ter seu próprio sustento. Claro que a discriminação com os poloneses não era tão grande como era com os judeus, mas também não eram considerados dignos de algo. Os nazistas os viam como um mal necessário: tinham utilidade, mas logo que os judeus fossem eliminados, eles também seriam. E sabiam disso. 

A única amiga de Anna era Sonja, uma polonesa que usava de sua incrível beleza para sobreviver e ganhar agrados dos homens poloneses. Sonja, como a maioria das pessoas da época, sofreram a manipulação alemã, ou seja: acreditava que a culpa da guerra estar ocorrendo era única e exclusivamente dos judeus, e não ao elitismo e preconceito dos que denominavam-se "superiores".

"Não que ela desconhecesse seu antissemitismo, tão comum entre os poloneses. Nas escolas, os judeus eram discriminados e agredidos, nas igrejas, principalmente durante a Páscoa, eram acusados pelos padres de terem matado Cristo. Mas diante da atual situação, em que o judeus foram expulsos das ruas e de suas casas, internados em guetos, mortos a sangue frio, as palavras de Sonja pareciam extremamente brutais."
P. 86

O fato é que, inesperadamente, as vidas de Chaim e Anna se cruzam. E contrariando o mundo todo, que parecia apenas não se importar com os judeus e seu sofrimento, Anna ajuda-o. Cuida de Chaim, agora com 15 anos, e ela com 30. Seus vizinhos, se descobrissem, com certeza denunciaram ambos para a Gestapo, mas a vontade de salvar a vida de Chaim falava mais alto do que seu instinto de sobrevivência. O motivo? Ninguém sabia ao certo. Talvez por pensar diferente da maioria, talvez por não querer ser conivente com tanta atrocidade. Talvez por ter se apaixonado pelo menino judeu.

O que mais me tocou no livro, é que Marcio não fez uma história de romance que tem como pano de fundo o Holocausto. Não. O livro não é sobre uma história de amor, é muito mais do que isso. É sobre saber que 99,9% das pessoas são cruéis e mesquinhas, mas que aquele 0,1% é o que te faz ter esperança de um mundo melhor, de um futuro melhor. É sobre o preconceito que levou milhares de judeus à morte. E é sobre a tolerância que a maioria da população não tem, mas que é preciso para que essa vida louca não vire um caos.

"Na guerra, o pior das pessoas aflorava. Para alguns, tratava-se de sobrevivência; para outros, de conseguir vantagens que pudessem ser úteis no futuro."
P. 67

Talvez a vida dos dois não tenha seguido o rumo que queriam. Com certeza a guerra trouxe milhares de momentos horríveis, e pouquíssimos felizes, mas, como prometera ao pai, Chaim sobreviveu. Sobreviveu como as pessoas reais que escaparam das atrocidades do Nazismo. Sobreviveu para que as pessoas não fiquem achando que o Holocausto não existiu. Sobreviveu para que a história não seja esquecida. Para que não se repita. Nunca mais.


8 comentários:

  1. Oi, tudo bom?
    Adorei sua resenha e fiquei muito interessada em ler o livro, por que apesar de não entender muito do assunto, gosto bastante de ler sobre a 2ª Guerra!
    Beijos e feliz 2015.
    http://resenhandoaarte.blogspot.com/

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    1. Oi, Aliscia! O livro é ideal para quem não entende muito do assunto, pois apesar de ser um livro de ficção, o autor grifa em itálico as partes que contam fatos que de fato ocorreram. Enfim, que são história!
      Beijos, feliz 2015!
      Se tiver a oportunidade de lê-lo, não esqueça de voltar e dizer o que achou! *-*
      Até!

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  2. Hey, te marquei numa tag! Não sei se você gosta de responder, mas essa é bem legal!
    http://osdragoesdefogo.blogspot.com.br/2014/12/tag-liebster-award.html
    =D

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    1. Olá, Kaio! Responderei em breve! Obrigada pela dica!
      Feliz 2015 :)

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  3. Nossa eu vim ver teu blog que coisa linda ta de parabéns que capricho amei seu blog e olha to seguindo para acompanhar seu trabalho em !! Agora venha me ver e deixa um comentário para eu saber o que achou do meu cantinho vou fica mega feliz!!

    www.politicamenteincorreta.com

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    1. Oi, Juliana!
      Muito obrigada! É bom ouvir elogios, ainda mais no começo quando a gente não sabe se tá fazendo certo! Haha
      Já te segui lá! Vou ler suas postagens e postarei um comentário!
      Feliz 2015!

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  4. Olha, admito que fiquei inclinada a ler esse livro depois da sua resenha. Este gênero não é meu preferido, e fiquei com um pé atras quando li a sinopse e o título, fiquei com uma cara meio "what?" haha

    A sua resenha está ótima. Eu adorei seu estilo de escrita. Vou acompanhar seu trabalho a partir de agora, hein? ;)

    Beijos,
    Danns

    transformelivrosemideias.blogspot.com.br

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    1. Oi, Danns! É um livro legal, só é meio histórico... Acho que você não vai gostar tanto quanto eu gostei se não se interessa por esse gênero, mas com certeza vale a pena ler!
      Muito obrigada, o apoio é muito importante pra mim!
      P.S: queria dar uma olhada no seu blog, mas está disponível apenas para leitores convidados! :(
      Até mais!
      Beijos.

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