sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Resenha: Mrs. Dalloway

Boa noite! Como vocês estão?
Hoje eu venho lhes apresentar a este maravilhoso livro da perfeita Virgínia Woolf! É o primeiro que eu leio dela, mas com certeza foi apaixonante demais para parar por aí.

Bem, vamos lá: primeiro, não dá para falar deste livro sem mencionar um pouco da vida de Virgínia Woolf. Por quê? Simplesmente porque ela escreveu este livro em uma de suas crises de depressão. Um dos personagens reflete bem quem era esta mulher.

É difícil dizer sobre o que, exatamente, trata-se essa obra. Creio que um pouco de tudo: vida, morte, escolhas, passados...

A história toda do livro se passa em apenas um dia, talvez menos. Em uma bela manhã, Clarissa, a personagem principal da trama, sai para comprar flores e tudo se inicia. Ela lembra de sua juventude, de seu passado, de seus sentimentos e, consequentemente, de suas escolhas. É algo para se refletir. Pelo menos me fez refletir bastante.

Se você é uma dessas pessoas que não gosta de livros "parados", ou que "não tenham ação", já aviso: não leia este. Ele (quase) não tem falas, e as poucas que se tem são por meio de discurso indireto livre. Este é um romance de introspecção psicológica, em que a intenção é mostrar esteticamente como funciona nosso pensamento. É interessante, e Virgina Woolf utiliza essa técnica maravilhosamente bem. 

Vale a pena lembrar também que o romance se passa em Londres, e que o Big Ben é quase que um personagem do livro, pois ressalta-se a cada badalada que dá.

A obra toda traz um tom melancólico, saudosista. Ao mesmo tempo em que, todos os personagens sabe que de nada adianta relembrar; as horas, ah, o tempo... É irrevogável sempre. Não se pode voltar atrás. 

"Ela fazia ideia do que lhe faltava. Não era a beleza; nem a inteligência. Era algo central que se irradiava; algo caloroso que rompia as superfícies e agitava o frio contato entre homem e mulher."
P. 37


Para ser bem sincera, é um livro que incomoda. Que te tira da zona do conforto. Os pensamentos dos personagens se misturam com os seus, e parece que você sente o que o personagem está sentindo.

O mais legal do livro, o que mais me chamou a atenção, é que o livro não se foca apenas na vida, ou nos pensamentos de Clarissa Dalloway. Não. O fluxo de consciência parte de vários personagens, sem um aviso prévio. Por isso, não é uma leitura muito fácil, mas é interessante. Por ser um fluxo de consciência, também não há capítulos.

"Contemplou as pessoas lá fora; pareciam felizes, aglomerando-se no meio da rua, gritando, rindo, discutindo por ninharias. Mas ele não podia provar nada daquilo, não podia sentir. No salão de chá, entre as mesas e os garçons loquazes, ele foi invadido por um pavor horroroso - não sentia mais nada. Conseguia argumentar, conseguia ler, Dante, por exemplo, com bastante facilidade; conseguia calcular a despesa; seu cérebro estava perfeito; a falha, portanto, devia estar no mundo, por ele não conseguir mais sentir nada."
P. 91


O fluxo de consciência acima é de Septimus, um personagem fascinante. Acho que ele é a própria Virgina Woolf, de certa maneira. Septimus é um homem que foi para a guerra, viu seu melhor amigo morrer à sua frente, e mesmo assim... Não sentiu nada. Muita gente o chama de insensível. Eu prefiro pensar que ele não sente mais nada porque já sentiu demais. Mas isso vocês me falam quando terminarem de ler o livro! Haha

É incrível como percebe-se que os personagens têm, de fato, uma história entre si. É palpável, mesmo sem um diálogo claro. Eles sabem. Eles sentem. E não é isso o que importa?

"O que importa o cérebro, comparado ao coração?"

P. 196

2 comentários:

  1. Ainda não tinha ouvido falar desse livro, mas me pareceu bastante interessante! Gostei muito da resenha! Parabéns ♥ Beijos
    http://saracavalcantes2.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Sara!
      O livro não é muito conhecido mesmo, mas vale a pena ler! Hehe
      Beijos <3

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