segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Resenha: Madame Bovary

Oi, pessoal! Tudo certo com vocês? Hoje eu resenhei esse livro do espetacular Gustave Flaubert: Madame Bovary!

Para começar, não posso deixar de lado a importância desse livro. Ele foi a primeira narrativa realista, e foi publicado em 1857. A leitura, no início, pode ser meio enfadonha, mas depois pegamos o embalo (ou não). Por favor, outra vez, não peguem esse livro com expectativas de muita ação. Por ser realista, ele se apega muito aos detalhes, à verossimilhança com a realidade, a vida real. Consequentemente, o livro traz uma sensação da marasmo, de tédio. Enfim, nos leva a sentir o que o personagem sente, o que o meio faz com que o personagem sinta. 

Flaubert foi parar nos tribunais franceses por conta de sua obra. Acusado de ir contra a moral, a igreja e os "bons costumes", já que o livro narra a vida de Ema Bovary, uma mulher que por ler demais, sonhar demais e esperar demais, se decepcionou dolorosamente com a vida que levava, o que levou-a ao adultério. Óbvio que a causa de tanto alarde na sociedade deu-se ao fato de que a protagonista mulher era quem traía, e não quem era traída. Como sempre, a sociedade foi hipócrita. É hipócrita. Nada de novo sob o sol.

Enfim, Flaubert se livrou da acusação alegando que Ema Bovary não era a voz dele, e sim a do personagem. Isso é algo a se observar na obra, pois é interessante: os narradores mudam constantemente em sem nenhum aviso. Outra particularidade do autor.

A minha edição de Madame Bovary, como podem ver, é (muito) velha, mas dá para ler igual, apesar dos acentos inexistentes hoje e coisa e tal.

O livro foi tão importante que o termo bovarismo é usado pela psicologia para definir o estado de insatisfação de um ser humano, que é produzido pelo contraste entre suas ilusões/aspirações versus realidade frustrante.





"Ela, porém, tinha a vida fria de um celeiro aberto para o norte; e o tédio, aranha silenciosa, ia tecendo a sua teia na sombra de todos os cantos do seu coração."
P. 40


E é exatamente isso que acontece com Ema: nada na sua vida parecia agradá-la. Tudo parecia extremamente limitado para ela (e era mesmo), principalmente por ser mulher e não ter muito o direito de escolha, principalmente na hora de escolher seu marido, seu casamento.

"Desejava que fosse um menino; [...] essa ideia de ter um filho varão era como que a desforra, em esperança, de todas as suas impotências passadas. Um homem, ao menos, é livre; pode percorrer as paixões e os países, saltar obstáculos e gozar dos prazeres mais raros. Uma mulher anda continuamente rodeada de empecilhos. A sua vontade, como o véu de um chapéu preso pelo cordão, flutua a todos os vendos, e há sempre algum desejo que arrasta e alguma conveniência que detém."
P. 72


Ela casa-se com Carlos meio que obrigada, mas acaba por se animar, pois afinal, teria sua casa, e, ingenuamente, acreditava que agora viveria todos os romances e aventuras que lera em suas histórias. Obviamente, a realidade não é assim; Carlos é descrito como metódico, tedioso, pacífico e tudo o que mais que Ema passou, aos poucos, a detestar. Sua aversão por seu marido, por sua vida, por suas escolhas, leva-a ao adultério. Agora, sim, ela achava que viveria tudo o que tinha direito mas, mais uma vez, a realidade bateu a sua porta.

Resumindo, Ema passa toda a sua vida vivendo desse jeito: almeja demais, tenta conseguir o que quer ter e sentir a todo custo; consegue, finalmente consegue! Porém, não sente nada do que esperava sentir. E se decepciona de novo, e procura mais e mais, e se afunda imensamente, cada vez caindo mais. O final é surpreendente, e talvez um pouco triste, mas é um livro que vale a pena. Faz a gente refletir sobre o que realmente importa. Sobre o que a gente sente realmente, e também sobre o que a gente inventa que sente, apenas para se sentir... Amada, inserida em algum lugar, talvez.

Acho que todos temos um pouco de Ema Bovary em nós, não é mesmo?

4 comentários:

  1. Gostei muito de ler esse livro e acho que me identifico muito com a Ema Bovary. Por vezes me pego sentindo a mesma insatisfação da personagem... rsrs Parabéns pela resenha e pelo blog. Você escreve muito bem e os livros resenhados por você são excelentes obras. Parabéns!

    Beijos

    http://papelpoesia.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Miriã! Eu também gostei bastante! No início achei chato, mas depois a leitura foi fluindo! Acho que todas nós nos identificamos com a Ema em algum momento da vida! Infelizmente não dá para se estar satisfeita e feliz todos os dias! Como disse Clarice em um dos seus contos: a felicidade é clandestina! Hehehe
      Muito obrigada pelos elogios!
      Beijos.
      Feliz 2015!

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  2. Tenho esse livro na estante há algum tempo e não crio coragem para lê-lo. Sua resenha me ajudou um pouco! haha Parabéns pelo blog! bjs

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    1. Marina, ele é meio chato no início mesmo!
      Tomara que consiga lê-lo, eu demorei um tempinho também!
      Muito obrigada!
      Até mais.

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